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A relação entre autoconhecimento, intenção e minha experiência no kung fu

A relação entre autoconhecimento, intenção e minha experiência no kung fu

Nunca antes, em toda história da humanidade, as práticas meditativas do oriente foram tão promovidas pelo ocidente como hoje. Isso não é à toa, uma vez que consideramos a ansiedade como mal do século. Existe uma relação de causa e efeito advinda da Revolução Informacional - agora somos bombardeados por milhares de informações a cada segundo, nossas escolhas têm impacto global, além da imposição de máxima produtividade e alta performance. Para lidar com esse cenário, a recomendação para meditar ao menos 5 minutos por dia é um dos conselhos mais unânimes hoje. Diversos livros de desenvolvimento pessoal e biografias, além de evidências científicas, enfatizam a importância de focar apenas na respiração em algum momento do dia. Um outro benefício da meditação é o autoconhecimento. Buscar a máxima Socrática exige um movimento introspectivo. Somente ao silenciar todas as vozes exteriores é possível ouvir a si mesmo e, portanto, "conhecer-te a ti mesmo".

Quanto à essa busca de desenvolvimento, o shifu Bruno sempre diz que "não existe apenas um caminho", sendo o kung fu apenas uma dessas possibilidades. Para mim, o kung fu é o caminho que me ajuda a desenvolver o meu melhor potencial.

Nessa arte marcial, aprendemos a filosofia de viver com intenção. Durante o dia a dia, automatizamos a maioria das nossas ações. Viver com intenção é o exercício diário de "desautomatizar", tomando consciência do propósito de cada atividade a qual direcionamos energia. Uma vez em que você assume a consciência do caminho que deseja seguir em sua vida, cada ação que você realiza é intencional - provida de sentido. Uma outra frase que o shifu Bruno nos lembra constantemente é a seguinte: "se você não sabe aonde quer ir, qualquer caminho serve". Isso significa que intenção e autoconhecimento estão totalmente relacionados.  

"Thauma" é um termo filosófico grego que significa recuperar o espanto inicial sobre o mundo para refletir e repensar o significado das coisas. Semelhante ao que as crianças fazem ao perguntarem o porquê de o céu ser azul. A busca pelo retorno ao questionamento das coisas (thauma) é uma postura da abordagem teórica da Psicologia chamada Fenomenologia. Na terapia fenomenológica, há esse exercício de suspender os próprios julgamentos para entender como a situação é para a própria pessoa. Ou seja, estranhar o fenômeno descrito ao invés de associá-lo com experiências pessoais anteriores, como tantas vezes o fazemos. Pense nas suas últimas interações com outros. Você estava presente enquanto a pessoa falava? Quantos pensamentos invadiram sua cabeça? Quanto ao que a pessoa dizia, você procurou questionar o significado disso para ela ou respondeu assumindo que a experiência dela era igual a que você já viveu?

O único modo de colocar em prática esse estado ativo de consciência é estando completamente presente. No momento em que vim a ter contato com a abordagem da Psicologia Fenomenológica, percebi mais uma importância do kung fu em minha vida. Durante à prática dessa arte marcial, somos convocados a limpar nossas mentes e focarmos no agora - seja por meio dos exercícios físicos, da meditação ou da própria filosofia do kung fu.  

Como seres humanos que somos, esquecemos que automatizamos coisas que importam para nós. Para lembrar consistentemente de fazer o que é melhor para nós, precisamos estar atento ao momento presente. É nesse sentido que o kung fu é o caminho que fez sentido para mim. Me dá ferramentas para buscar estar no eixo de equilíbrio na maior parte do tempo, me ajuda a me entender e a ter ações coerentes com meu propósito. E, portanto, viver com intenção, encontrando sentido mesmo em tarefas tediosas.

Lembre-se: há inúmeras possibilidades para alcançar esse objetivo, essa é apenas a minha perspectiva! Descubra qual faz mais sentido para você!

 

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