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Autoconhecimento é compreender o mundo - Ecologia, espiritualidade e desenvolvimento pessoal

Autoconhecimento é compreender o mundo - Ecologia, espiritualidade e desenvolvimento pessoal

A ideia de que o ser humano é isolado da natureza começou a ser enraizada com o desenvolvimento da sociedade, mas se consolidou principalmente quando, a partir de nossa busca por explicar e compreender o mundo em termos científicos, começamos a nos separar dos objetos de estudo (do meio natural) os quais queríamos analisar. A partir de então, apesar de muitas contracorrentes, surgiu uma ideia de que o ser humano é apenas um ser manipulador da natureza, e não uma parte integrante da mesma. Até a própria noção de desenvolvimento pessoal, muitas vezes, é compreendida a partir de uma visão de que o mesmo é capaz de se desenvolver isoladamente. A questão é que, a partir de diferentes abordagens, é possível que se siga um estreito e incompleto caminho que enxerga o ser humano como um ser à parte do que conhecemos como “natureza” ou “meio ambiente”. Por sorte, a ciência evoluiu e hoje, principalmente através da ecologia, mas também da biogeografia, da climatologia, da paleontologia e de incontáveis fenômenos que foram estudados, compreendemos que o ser humano é integrado e depende do meio ambiente em escala planetária, o que nos trás uma outra visão acerca da responsabilidade de nossas ações no planeta. Da mesma forma, o caminho espiritual está repleto de visões holísticas do ser, ou seja, que enxergam o humano como parte intrínseca da natureza (do todo). Muitas das práticas de aperfeiçoamento pessoal são baseadas em filosofias que enxergam todos os aspectos do mundo como igualmente sagrados e que buscaram uma compreensão do ser através da observação da natureza, e isso inclui uma gama de atividades e filosofias, tais como o Tai Chi Chuan, o Taoismo, o Budismo, o Kung Fu, a Yoga, etc. Alguns exemplos de povos que compartilham, enraizado em suas origens, uma visão integrada do humano- espírito- natureza são: as populações tradicionais do continente americano (na língua Tupi, não existe a palavra natureza, pois a criação dessa palavra já parte do pressuposto de que somos isolados da mesma e, na visão dos mesmos, a natureza é tudo); na língua japonesa, a palavra para "tempo/clima" (tenki), também significa espírito/respiração/energia - assim como na língua chinesa, a palavra para "ar" (qi/chi) simboliza o sopro vital da nossa existência.

O ambiente, portanto, não é mais externo ao organismo, mas o continente que o envolve e que dá sentido às suas ações. Buscamos - sempre - um desenvolvimento pessoal através de nossas ações. Assim como essa busca muitas vezes surge de filosofias que enxergam o ser como parte da natureza, hoje entendemos que as nossas ações também têm um impacto no meio ambiente e, o mesmo, responde à altura, o que nos traz uma responsabilidade muito maior com o meio em que vivemos. Para o desenvolvimento pessoal, buscamos nos alimentar bem, frequentar lugares agradáveis, mudar os nossos padrões mentais, praticar meditação, entre outras coisas. Porém, para isso, devemos ter a noção de que os alimentos que consumimos têm alguma origem. Os exercícios são praticados em determinado ambiente. O oxigênio que respiramos é proveniente das plantas e das algas. A mente não funciona sem o corpo e, o corpo, não funciona sem o restante do mundo. As diversas conexões do nosso dia a dia, que às vezes parecem imperceptíveis, são o que nos conectam à natureza, ou ao sagrado, e essa percepção surge de diferentes formas, seja através do estudo da ecologia, ou a partir da meditação, onde buscamos nos integrar com o ambiente à nossa volta e nos conectar com a nossa essência. O ser, portanto, não se encontra mais isolado (individualizado) da natureza. Começamos assim a perceber a ecologia do mundo se manifestando no ser e, a natureza (o meio natural) começa a atuar como mediador na busca do sagrado, de uma vivência plena e integrada. É a partir desta visão que devemos começar a cultivar uma relação de afetividade com o meio natural, que nos responderá de maneira igualmente positiva, nos levando à uma compreensão melhor não só do mundo, mas de nós mesmos dentro do mesmo.

Na busca do aperfeiçoamento pessoal, tanto seres ecologicamente orientados quanto os mais adeptos à espiritualidade, cada vez mais fazem uso de técnicas corporais e mentais que incorporam a ideia de saúde e bem estar ligados à natureza, ou seja, realizam atividades como o turismo ecológico e religioso, caminhadas em parques e praias, montanhismo, trilhas, peregrinações, entre outras coisas. Na nossa visão de mundo, portanto, não devemos buscar só o desenvolvimento "pessoal" (como se fôssemos seres isolados), mas buscar o desenvolvimento de tudo que nos conecta, ou seja, a preservação das florestas e mares, a origem dos alimentos que ingerimos, a geração de menos lixo, o respeito à todos os seres sencientes e ao meio à nossa volta e uma integração com o planeta, superando a visão de que somos uma espécie isolada. Da mesma forma, de nada adianta o conhecimento científico do mundo material se não nos integrarmos espiritualmente ao mesmo já que, sem procurar um desenvolvimento pessoal e uma integração energética com a natureza, perdemos o senso de pertencimento e a nossa relação de respeito ao ambiente. Idealmente, portanto, vemos se configurar uma abordagem de mundo, comum tanto às práticas científicas/ecológicas quanto às práticas religiosas/espirituais, que enfatiza uma sensibilidade interna para com o meio natural, cuja composição principal é uma relação harmoniosa entre ecologia, religião e saúde, formando a totalidade de um ser/ambiente equilibrado.

Após a leitura desse texto recomendo, então, a prática de um pequeno exercício:

Relaxe, feche os olhos, e se concentre na respiração... Sinta o ar entrando e saindo de suas narinas e compreenda que todo esse oxigênio, responsável pela nossa existência, vêm de florestas e mares do mundo inteiro. Este ar viajou distâncias enormes para te proporcionar energia. Se sinta agradecido, portanto, por se integrar com todo o planeta. Cultive esse sentimento de admiração e integração ao meio natural.

Supremamente
Gabriel Valdetaro
Gabriel Valdetaro Seguir

Estudante de Ciências Biológicas na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Praticante de Kung Fu. Estudante das filosofias Taoista e Zen Budista.

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