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Mindfulness: corpo-mente na performance humana

Mindfulness: corpo-mente na performance humana

 

Apesar de em nossa cultura os hábitos e práticas corporais que levem à introspecção não serem tradicionais, estas em muito contribuem para o desenvolvimento de habilidades que empoderam para a superação de desafios no dia a dia. Talvez por isso cada vez mais as práticas orientais vêm sendo reconhecidas e tem tomado parte de nosso cotidiano como benéficas à saúde física, ao equilíbrio emocional e às habilidades cognitivas.

No âmbito escolar as experiências corporais têm maior espaço nas aulas de educação física, com relevantes conteúdos ao desenvolvimento de crianças e adolescentes, contudo se caracterizam sobretudo por atividades dinâmicas, excitantes com variados estímulos externos.

As práticas corporais introspectivas são pouco comuns em ambientes escolares. São práticas que remetem a uma observação de si, ensejam uma maior consciência corporal e observação interna. Ainda que venham surgindo timidamente, como a meditação, respiração, bases da yoga, artes marciais com tradição filosófica, dentre outras, são de modo geral iniciativas pontuais.

Atualmente têm se destacado como Midfulness práticas que influenciam positivamente os estados psíquicos. Caracterizam-se por esta natureza introspectiva, e promovem consciência corporal por exercícios de meditação e respiração intimamente ligados a estabilidade mental e emocional.

Vivemos uma época de super estimulação que contribui para intensificação da ansiedade e aceleração dos pensamentos. Os prejuízos disso se expressam desde um maior gasto energético para realizar as tarefas cotidianas até o aumento dos diagnósticos de dificuldades de aprendizagens e de comportamento que tem feito dos apoios terapêuticos um coadjuvante na superação dos desafios escolares.

Distúrbios como déficit de atenção e hiperatividade têm crescido e ampliado inclusive o uso de medicamentos. Embora a principal preocupação implique
na performance acadêmica, a ansiedade pode interferir no estado emocional levando à sensação de insegurança, instabilidade de humor, baixa estima, depressão, prejudicando as relações com a família, com os amigos, e apresentar dificuldades em demais aspectos da vida.

As práticas de mindfulness permitem desenvolver habilidades sobre uma dimensão raramente atentada por nós, e de pouco ou quase nenhum cuidado mais sistemático, e que se trata do controle consciente sobre os pensamentos e as emoções. Os pensamentos e emoções agem diretamente sobre o nosso corpo alterando fisiologicamente nosso tônus muscular e a nossa respiração. As emoções negativas, pessimistas, levam o tônus para um estado mais rígido e a respiração para um estado mais acelerado. Mas o contrário também é verdadeiro, ou seja, pelo
corpo também é possível desacelerar os pensamento e das emoções. Assim, uma respiração mais lenta e uma descontração muscular voluntária também acalma as emoções e desacelera os pensamentos. O hábito frequente dessas práticas melhoram a capacidade de percepção sobre nosso corpo , por meio qual passamos a reconhecer a qualidade e a quantidade daquilo que sentimos, e, de como nos sentimos.

A neurociência tem contribuído para compreensões de diversas implicações do sistema nervoso na saúde e na performance humana, e assim tem crescido também a área de neuro educação.

Vale, entretanto, ressaltar que é na constatação de que a plasticidade neuronal existe que se teve um grande salto científico quebrando um paradigma secular de crença de não regeneração do sistema nervoso. Sabemos que se regenera não é só porque é plástico, mas sobretudo pela capacidade de adaptação, por ser extremamente sensível às experiências a que se expõe pelo corpo gerando modificações das estruturas neuronais e das dinâmicas de funcionamento
internas.
Experiências, exercícios e práticas que permitem reconhecer e controlar essas percepções mais sofisticadas, como as emoções e o pensamento, geram refinamento do mesmo sistema nervoso que utilizamos para aprender conteúdos acadêmicos. Melhoram as capacidades de compreensão cognitivas como a atenção, concentração, foco e raciocínio estratégico.

Ainda que existam exercícios específicos para o leque das percepções cognitivas estimuláveis por meio da motricidade ou seja, pelo corpo envolvendo movimentos e posturas apropriadas, sem dúvida o mindfulness nos leva a uma experiência essencial que nos impulsiona a acessarmos de modo equilibrado as habilidades existentes em cada um. Sem este equilíbrio vivemos em desvantagem na apropriação das nossas capacidades potenciais. Em uma palestra sobre kung Fu
fui surpreendida por uma conceituação da palavra desenvolvimento que parece fazer sentido para o que representa o mindfulness. Assim disse o palestrante: “desenvolver é tirar tudo o que envolve”, como se fosse desfolhando e libertando de várias interferências que nos envolveram nos distanciando da percepção essencial, do que somos. Midfulness permite perceber a si, e se beneficiar disso de muitas formas.

Isto também é conhecido por atenção plena e, embora possa se pensar ser muito complexo de praticar, existem exercícios simples que podem ser realizados inclusive com crianças de modo prazeroso.

 
 


Terapeuta  infantil, aprendizagem e comportamento humano.
rosimeripavanati@gmail.com

Psicomotricista, Professora de educação Física, mestre em Pedagogia do Movimento Humano, especialista  em neuropsicologia, especialista em bases biomédicas da atividade física, e Terapia Cognitivo Comportamental.

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