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Reflexões sobre mindfulness e surf

Reflexões sobre mindfulness e surf

Eu surfo desde que me entendo por gente.

Filho e sobrinho de surfistas, desde novinho meu brinquedo favorito sempre foi a prancha de surf. Já viajei meio mundo em busca de ondas perfeitas, e busco usar esse hobby como uma terapia.

Surfar, na minha opinião, é a expressão máxima da conexão entre nós e a natureza. Como o tricampeão mundial Andy Irons dizia: surfar ondas tubulares é como ser “beijado por deus”. Surf é arte, é cultura, é música, é lifestyle… Surf é vida!

 

                   Essa é a expressão de alguém que acabou de sair de um tubo :)


Eu tenho o costume de fazer viagens de surf após rotinas de trabalho intensas. Essas viagens, junto com terapia e análise, eram a cura que eu buscava para meu stress.

“Surfers are the first and foremost expert phenomenologists, they notice things deeply and closely. They crave experience without meditation of theory; yet. they develop intuitive knowledge about the geography of their favorite activity, such as how waves are formed and how beaches change shape. despite being stereotyped as brain-numbed, surfers can be thinkers.

Mindfulness and Surfing, Sam Bleakley

Mesmo assim, tive minha primeira crise depressiva em 2014, com 25 anos.

Não entendi nada, por que eu estava em pleno gap year, viajando o mundo, surfando como nunca.

Peguei os melhores tubos da minha vida, com viagens pra Fiji, Regência, Indonésia. Mas mesmo assim, fiquei vários momentos na bad.

Descobri que só o surf não salva.

 

                   Surfar altas ondas ajuda - mas tem horas que não é o suficiente.

Estava com um grande vazio. As viagens não preenchiam. A rotina estava sem propósito. Os desgastes internos e na família estavam altíssimos.

Achei que fosse algo relacionado ao trabalho, então mudei de área — saí da empresa familiar e fui empreender no mercado financeiro. O resultado?

Dois anos depois, em 2016, tive minha segunda crise, dessa vez um burnout por excesso de trabalho.

Estava estressado, acima do peso, muito distante de onde eu realmente queria estar.

Até que novamente mudei de área, e dessa vez também de cidade.

Aceitei uma proposta para trabalhar no Rio em uma startup, o Bazzah. Lá, recebi meu primeiro treinamento em mindfulness, com o Shifu Bruno Barros, do instituto Wu Lindao.

Fazíamos o treinamento coletivo, e lembro que ele ministrava o curso “Mestre de sí mesmo”, onde aprendemos sobre propósito, resiliência, mindfulness, autodesenvolvimento, e muitas outras coisas.

Quando comecei a usar as ferramentas de coaching, entender sobre fluxos de energia, fazer massagem regularmente, e a iniciar muitas práticas da medicina oriental, me senti outra pessoa.

Aprendi que o ego é nosso principal inimigo. E que o medo e a insegurança são combustíveis do ego. Quanto mais afirmação externa precisamos, mais inseguros nós somos.

Questionar muitas coisas que eu vinha fazendo, para entender de onde vinha aquela intenção, foi transformador.

Busquei respostas dentro de mim. A cada contratempo, aprendi a apreciar o caminho e agradecer pelos aprendizados.

Repito o mantra: entrego, confio, aceito e agradeço ao acordar e dormir, para me conectar e vibrar no fluxo da abundância.

Comecei a experimentar essa fusão entre mindfulness e surf em 2017.

Ví surfistas que me inspiram muito como o Carlos Burle, Gerry Lopez, Rob Machado e Dave Rastovich usando essa técnica para melhorar a performance na água e na vida.

É nessa conexão que a mágica acontece. A relação entre surf e mindfulness é quase que de simbiose, e os ensinamentos da água reverberam como lições de autoconhecimento.

Por exemplo: a busca para nos entendermos, é similar a forma como os surfistas estudam cada pico. Qual é a bancada? Como é a onda? Em quais condições essa onda funciona melhor?

A busca eterna por nossa melhor versão é como a busca dos surfistas por altas ondas.

Surfistas sempre querem surfar mais. Da mesma maneira, quem experimenta a plenitude da meditação e os momentos de atenção plena, também quer mais.

Paz de espírito é uma raridade nos dias de hoje. A nossa incerteza sobre o futuro faz com que tenhamos muita pressão nos nossos ombros. Temos medo daquilo que não controlamos.

Nessa fusão de coaching, mindfulness e surf, fiz exercícios que me auxiliaram a visualizar o meu “futuro desejável”, onde pude intencionar a realidade que buscava construir.

Por ter intencionado, consegui alinhar minha tomada de decisões, confiante que o universo iria me levar na direção do meu propósito.

A coisa engraçada é que, tanto no surf, quanto na meditação e no processo de intencionar e construir sua “nova realidade”, o mais difícil são os primeiros passos, quando temos muito esforço e pouco resultado.

Nesse momento, ser resiliente e apreciar os aprendizados ao longo do processo é fundamental.

Intenção: quero surfar

Resultado: só tomo vacas nos primeiros 3 meses

Intenção: quero meditar

Resultado: não consigo parar de pensar nos primeiros 3 meses

Eu chamo isso de arrebentação mental. Arrebentação é uma linha imaginária (definid pelos surfistas) onde as ondas quebram. Quando passamos da arrebentação, chegamos ao outside — o local onde esperamos e remamos nas ondas para dropar.

E quando dropamos uma onda, nossa cabeça está 100% nela. Nosso nível de atenção é pleno. Surfistas experimentam o estado de mindfulness a cada onda dropada. Por isso o esporte é tão viciante.

Acredito que quando conseguimos atingir nosso estado de atenção plena, é equivalente a quando você consegue ter confiança suficiente para dropar suas primeiras ondas.

Demora na média uns 3 meses, dependendo da sua dedicação. Mas com certeza muda a vida de quem aprende!

Sou muito grato aos meus mestres de surf e de mindfulness, duas das minhas maiores paixões.

E você, já testou essa combinação de surf e mindfulness? Que tal experimentar?

Aloha :)

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